Um suor enregelado descia-lhe pela testa. Não era a primeira vez que experimentava aquela sensação sufocante de medo, mas aquilo sempre provocava o mesmo pânico da primeira vez. Era como estar morto, mas de alguma forma consciente, pois ainda conseguia mover os olhos e as pálpebras.
Mas não era isso que lhe angustiava. Nesses momentos de paralisia no escuro do seu quarto, ele via coisas que, embora sua razão lhe dissesse que não eram reais, o medo, que lhe percorria, fazia com que ele acreditasse que eram. E naquele momento ele poderia jurar que alguma coisa se movera no canto do quarto. Uma luz muito tênue que vinha da janela só o permitia identificar sombras e não objetos, mas ele sabia onde estava cada uma de suas coisas: “O guarda-roupa, a cômoda, a cadeira, a escrivaninha com seus papéis espalhados…” - Ele ia recitando tudo que se lembrava nessa hora crucial na tentativa de justificar o que estava vendo agora. Mas aquela forma alongada não combinava com nenhuma daquelas coisas. Havia certamente algo ali naquele quarto à espreita.
Sentiu então um frio percorrendo-lhe o corpo que nada tinha a ver com a temperatura do quarto, e que se intensificava desconfortavelmente no estômago. Precisava urgentemente retomar o controle dos movimentos, mas o corpo permanecia inerte. E enquanto isso a forma alongada parecia lhe observar atentamente. Era ilusão ou ela parecia ter se aproximado? Seria questão de segundos até que lhe alcançasse.
Então nesse momento, o desespero surtiu efeito e o corpo começou a lentamente recobrar os movimentos. Se arrastando pela cama, ele se virou na direção oposta o mais rápido que pôde, pegou o celular na mesinha da cabeceira e acendeu sua lanterna… E finalmente pôde suspirar com certo alívio. Era apenas o cabideiro com o seu casaco pendurado. Mas, em meio ao alívio, algo lá no fundo lhe dizia que, até aquele momento, ele realmente não estava sozinho naquele quarto.
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