14 setembro 2010

Enxergando no outro um caminho para si mesmo...

Recife,14 de Setembro de 2010



Se penetrares o palácio da minha mente
Verás na fachada uma arquitetura medieval...
Paredes de pedras cinzentas bastante sólidas...
Muros que se estendem até o céu!

A porta de uma madeira polida e forte
Completamente talhada com símbolos antigos
Religiosos, filosóficos e significativos,
Sem fechaduras visíveis, e trancada por dentro!

Analisando a porta não conseguirás mesmo que tentes
Ver o mesmo símbolo pela segunda vez...
Não entenderás se é a porta que se altera
Ou se és tu que mudas o modo de vê-la...

E enquanto estiveres perdido no meio de significados
Tentando decifrar o que a porta quer te dizer
Sem compreender eis que a porta se abre
Sem que tenhas se lembrado de tentar abrir...



E começas a entrar e enxergas na tua frente
Um extenso corredor com o teto abobadado
Te vês caminhando descalço no chão frio...
Trilhando uma jornada que não vês o fim!


A cada vinte passadas vês uma ampla janela abrir-se
Em cada uma delas uma paisagem diferente
Da qual poderias observar durante séculos
Sem que pudesses observar todos os detalhes!

São tantas janelas que é quase impossível
Decidir se deve para observar
Ou seguir adiante pelo caminho...
Porque na vida sempre temos que fazer escolhas?

E não fascina apenas as imagens que se vê
Mas também o aroma que é quase sensível ao paladar
Os sons que quase se ouvem pelo tato
E ate a presença de algo divino que se percebe pela alma!

Essa profusão de sensações tem um sentido
O de não dar nenhum espaço para o pensamento...
E se perder num universo de prazeres...
Mas será que só isso é suficiente?

Será que o universo de prazeres é só um ardil
Feito pela mente para que não enxergamos
O real sentido das coisas?
Será que temos maturidade para enxergar?


Diante de tais questionamentos
Fecham-se as janelas e o corredor encurta-se
Adentras ao salão do consciente...
Repleto de espelhos por todo lugar que a vista alcança!

Olhas a si mesmo refletido e multiplicado infinitas vezes...
O consciente ao invés de revelar reflete o outro
Que só vê apenas o que lhe interessa
Ou o que carrega consigo!

Tanto espelhos da uma sensação de irrealidade...
Será real a imagem que projetamos pro outro?
Quantos de nós revelamos o que realmente somos?
Acho que todos nós usamos mascaras e levantamos espelhos...

O espelho também é um convite para analisar-se
Par conhecer o outro temos que conhecer a nós mesmos...
Antes de julgar olhe a si mesmo...
Quantas vezes recriminamos defeito que possuímos?

Olhe no espelho e permita-se a ver a si
Com um pouco mais de atenção e cuidado...
Não vês em si um lado negro que desejas ocultar?
Cuidado para dizer não precipitadamente!

Aqui ficarás...
Esse passeio pela minha mente foi só um convite
Para que as minhas interrogações sejam as tuas também...
Meu inconsciente eu guardo pra mim mesmo!

Não é fácil encontrá-lo...
Muita gente nem o conhece direito...
Muita gente nem se conhece direito...
Muita gente pára no corredor...

Não lhe desejo o mesmo destino...
Parar no corredor vai te tornar medíocre...
Parar no salão de espelhos vai te tornar covarde...
Seguir em frente te fará um Homem!

Yves Vicent!

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